Sindicato da Alimentação de Alegrete

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Marcos Rosse-Presidente

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sindicato da Alimentação de Encantado elege a primeira mulher com uma aprovação de 96% dos votos da categoria



Posted: 17 Sep 2012 02:02 PM PDT
Maria Inês Lorenzi Vian a Marinês é a primeira mulher a assumir a presidência de um sindicato da alimentação no Vale do Taquari e a sexta no Estado. Nos dias 11 e 12 de setembro ocorreram as eleições para a diretoria do Sindicato da Alimentação de Encantado com chapa única, quando também foi eleito o conselho fiscal e delegados representantes junto à Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação RS (FTIA/RS). A longa ficha de serviços prestados por Marinês na categoria foi seu principal aval para a conquista do cargo e a esperança de um mandato de muitas realizações. 

Eleições tranquilas
As eleições foram tranquilas e cumprindo o Estatuto que prevê, em caso de chapa única que, o Sindicato realize chamamento de uma assembleia eleitoral, dispensando a coleta de votos, embora não proíba a eleição pelo voto direto. Porém, a comissão eleitoral se reuniu e por sugestão de seu presidente, diretor da FTIA/RS, Paulo Madeira, foi realizada a coleta de votos e o resultado atestou a grande aceitação e o carinho que a categoria devota à nova presidente, com uma aprovação de 96% dos votos válidos. Outro fato relevante foi a disposição de votar dos associados que, com alegria e bom humor entravam nas filas de votação, aguardando sua vez.
Mandato
A diretoria eleita cumprirá mandado de quatro anos, quadriênio 2012/2016. A posse será no dia 21 de dezembro de 2012. A principal meta da nova diretoria é manter e ampliar a discussão em favor dos trabalhadores, tanto em nível local de categoria e associados, quanto em nível Federal, especialmente na reconquista de direitos na área social e de saúde e com avanços na segurança do trabalho, saúde ocupacional e jornada semanal de 40 horas.
Atendimento ao associado
“O associado, bem como a categoria, terão sempre um ponto de apoio no seu Sindicato”, reforça Marinês. Esta sempre foi uma meta, não só perseguida, mas aplicada na prática do dia-a-dia no atendimento executado pela presidente eleita, em seus mais de 20 anos dedicados exclusivamente ao sindicato.
Veja a nova diretoria executiva:
Presidente: Maria Inês Lorenzi Vian (Marinês)
Secretario geral e de organização: Sergio Pedro Dalla Vecchia
Secretário de finanças: Jovani Roveda
Secretário de Política e formação sindical: Fábio Gabriel Ravazio
Secretário de imprensa, divulgação e mobilização: Osmar Martins
Secretário dos aposentados, pensionistas, esporte e lazer: Roque Pasqualetto
Secretária da Mulher: Sônia Lourdes da Rosa.

ELEIÇÕES SINDICAIS EM ENCANTADO: DIAS  11 e 12 DE SETEMBRO DE 2012.
ELEITORES
INSCRITOS
COMPARECEM E VOTARAM
VOTOS EM SEPARADO
ABSTENÇÃO
VOTOS NULOS
VOTOS
BRANCO
VOTOS CHAPA
01
793
454
108
339
0
8
446
02
322
232
16
90
08
10
214
03
72
57
10
15
0
04
53
TOTAL
1.187
743
134
444
08
22
713
INSCRITOS: 1.187             VOTOS VALIDOS: 713      QUÓRUM:  62,59  %  PERCENTUAL CHAPA ÚNICA:  95,96%
Assessoria de Imprensa FTA/RS

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

SENADOR PAULO PAIM ALERTA!

Mudanças na CLT não significa modernidade!

Benedito Calheiros Bomfim, do alto de seus quase 96 anos, é, provavelmente, a maior autoridade em Direito do Trabalho no país. Somente isso já justificaria a publicação do texto abaixo. Porém, como acontece com autores realmente importantes, há outra razão, de natureza conjuntural, para publicá-lo.
Há pouco tempo, não mais que algumas semanas, o senador Paulo Paim (PT-RS), na tribuna da casa legislativa de que faz parte, alertou: "Estou sabendo que o Poder Executivo pretende enviar ao Congresso Nacional proposta para mudar a legislação trabalhista e criar duas novas formas de contratação, a eventual e por hora trabalhada. Na prática, nós sabemos muito bem o que isso representa: a perda de direitos sociais para os trabalhadores".
O alerta do senador Paim não é um delírio, pelo contrário. No início deste mês, o jornal Valor Econômico veiculou notícia que a "presidente Dilma Rousseff prepara para depois das eleições municipais a negociação com o Congresso de duas reformas: a da previdência do INSS, em troca do fim do fator previdenciário, e a que flexibiliza a legislação trabalhista, cujo anteprojeto está na Casa Civil e que deverá dar primazia ao que for negociado entre as partes sobre o legislado, ampliando a autonomia de empresas e sindicatos."
Aliás, pela sua importância, transcrevemos alguns outros trechos do pronunciamento de Paim no Senado:
"Tenho o dever e a obrigação de, a partir desta tribuna e utilizando os meios de comunicação desta Casa, fazer um alerta ao nosso País e a nossa gente. Está em plena gestação um processo para flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho, CLT, a maior conquista social dos trabalhadores brasileiros. Da nossa parte, não aceitaremos em hipótese alguma, a retirada ou a redução de direitos e de conquistas da classe trabalhadora, forjados na luta cotidiana. A partir de hoje, estamos iniciando uma caminhada nacional de mobilização a fim de chamar a atenção de todos para o perigo que se avizinha. Não somos profetas do pessimismo e nem temos bola de cristal para prever o futuro. Porém, a história tem nos mostrado que devemos sempre vigiar e orar. A CLT foi criada em 1º de maio de 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas e, em novembro, começou a vigorar. Portanto, em 2013 a CLT completará 70 anos. Ela surgiu de novas demandas do nosso País, que a partir de 1930 deixava de ter uma economia exclusivamente agrícola e passava a se tornar cada vez mais industrial. Novos perfis de trabalhadores surgiam e, nessa leva andarilha para o futuro, como queria Vargas, muitas foram as leis criadas para regulamentar o trabalho. A mobilização popular e a contribuição de vários intelectuais brasileiros foram fundamentais em todo este processo de progresso social e de proteção ao trabalhador".
O senador encerrou anunciando um projeto de lei para que 2013 seja considerado "O Ano da CLT". Baseado nas informações que lhe chegaram, Paim afirmou: "... não podemos fechar os olhos para a ideia que estão tentando vender para a sociedade e que eu considero um engodo. As possíveis mudanças na CLT não representam modernidade. Pelo contrário, elas pretendem desmontar a CLT e acabar, repito, com diretos e conquistas dos trabalhadores".
Além da evidente importância política do tema, há mais a registrar: acabou definitivamente a época em que alguns intelectuais de salão diziam que a CLT era "copiada da Carta Del Lavoro, de Mussolini". A Internet tem o mérito de tornar o texto da última tão acessível quanto o da primeira, impedindo esse tipo de escroqueria.
Como diz o senador Paim, a CLT é "a maior conquista social dos trabalhadores brasileiros" - e, aqui, não acentuaremos sua importância econômica, do ponto de vista de garantir um mercado interno para a indústria nacional, mas ela é, também, evidente.
Não por acaso, desde 1964, todas as modificações que se fizeram ou tentaram fazer na CLT sempre foram para piorá-la. A tese é sempre a mesma: como o Brasil "avançou", é preciso que os trabalhadores tenham menos direitos. O avanço do país, portanto, significa retrocesso para os trabalhadores. Logo, o país mais avançado é aquele em que os trabalhadores não têm direitos...
Sobre isso, o artigo do advogado Benedito Calheiros Bomfim é muito elucidativo. Na época em que Bomfim publicou o texto, o governo Fernando Henrique pressionava o Congresso para modificar o artigo 618 da CLT. Em poucas palavras, queria transformar a lei em letra morta, permitindo que uma falsa "livre negociação" fosse superior a ela - o que é totalmente inconstitucional, por razões óbvias: de que vale uma lei que além de permitir transgressões a si mesma (e não como exceção, mas como regra), também permite transgressões ao artigo 7º da própria Constituição? Imaginemos se a Lei Áurea "permitisse" aos escravos "negociar" sua continuação como escravos...
Um dos grandes momentos do presidente Lula foi quando, logo depois de assumir, em 2003, mandou retirar do Congresso o projeto de Fernando Henrique.
Apesar dos anos que se passaram, o artigo de Benedito Calheiros Bomfim é, considerando nas palavras do senador Paim, perfeitamente atual. (Com jornal Hora do Povo)
Fonte: Diap

terça-feira, 11 de setembro de 2012

JBS


As atividades da JBS tiveram início em 1953, com uma pequena planta de abate em Anápolis (GO). Nas décadas seguintes, o grupo expandiu suas operações através da aquisição de dezenas de unidades produtivas no Brasil – atualmente, são 35 frigoríficos e abatedouros.
Paralelamente, em 2005, iniciou também uma agressiva política de aquisições internacionais. Como resultado, tornou-se hoje o maior processador de proteína animal do mundo. Possui quase 130 mil empregados, 49 mil deles no Brasil.
Na última década, a expansão das atividades da JBS contou com decisivo apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), estatal vinculada ao governo federal. O banco aportou mais de 10 bilhões de dólares no grupo através da compra de ações, de debêntures e da concessão de financiamentos.
O grupo está presente hoje nos segmentos de carne bovina, suína, ovina e de aves – em maio de 2012, assumiu a operação das plantas da Frangosul (grupo Doux) no Brasil. Possui também indústrias de lácteos, couro, biodiesel e colágeno.
Operações internacionais:
O grupo JBS possui plataformas de produção e escritórios na Argentina, Itália, Austrália, Egito, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai, México, China e Rússia, entre outros países.
Nos Estados Unidos, adquiriu, em 2007, a Swift Foods Company, e, em 2009, a Pilgrim’s Pride, tornando-se um dos líderes locais no processamento de carne bovina, suína e de frango. Formou também uma joint venture com a Jack Link’s, líder norte-americana na produção de snacks de carne.
Na Austrália, a JBS controla mais de dez plantas de abate, sendo o líder na produção de carne bovina e o segundo maior no mercado de ovinos.
No continente sul-americano, além das operações brasileiras, a JBS também é dono de frigoríficos na Argentina, Paraguai e Uruguai.
Na China, o grupo possui uma fábrica de couros.
Acionistas:
A Fb participações (controlada pela família Batista, fundadora da JBS), é a acionista majoritária do grupo frigorífico. O segundo maior sócio (29,92% do capital) é o BNDES.
Outro acionista de destaque é o fundo de investimentos PROT (3,49% do capital), formado pelo próprio BNDES e pelos fundos de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros) e da Caixa Econômica Federal (Funcef).
A JBS negocia suas ações na bolsa de valores desde 2007.
Conheça problemas trabalhistas em frigoríficos da JBS:
+ Vara do Trabalho de Goiânia condena JBS a conceder pausas em três indústrias e a pagar danos morais coletivos
+ Na JBS de Naviraí (MS), calor intenso e mau cheiro do setor de matança de bois do frigorífico provocavam desmaios
+ Trabalhador da JBS de Campo Grande (MS) tem perna amputada depois de sofrer acidente em máquina do setor de abate
+ Decisão judicial obriga JBS de Água Boa (MT) a não prorrogar jornada e a conceder pausas para recuperação térmica
+ JBS de Juara (MT) descumpre CLT e Justiça obriga frigorífico a conceder pausas a empregados dos setores com temperatura abaixo de 15oC
+ Entre 2005 e 2011, JBS de Barra do Garças (MT) teve média de mais de um acidente por mês, afirma MPT
+ Com 1.850 empregados, JBS de Barretos registrou 496 afastamentos por problemas físicos e psíquicos no primeiro semestre de 2011, diz MPT
+ JBS demite 1.300 empregados sem negociação prévia e é processada por impacto social gerado em Presidente Epitácio (SP)

Marfrig

Fundado em 1986, o grupo Marfrig é o terceiro maior produtor de carnes da América Latina, e o terceiro maior do mundo no segmento de bovinos. Fabrica também itens de carne suína, aves e peixes. Suas mercadorias estão presentes em mais de 140 países, sendo produzidos por aproximadamente 90 mil funcionários – mais da metade deles no Brasil.
Em terras brasileiras, o grupo é dono de 47 plantas frigoríficas em dez estados. Em 2009, adquiriu a Seara Alimentos, até então segunda maior empresa do setor de aves e embutidos no país.
A frenética aquisição de empresas estrangeiras pela Marfrig nos últimos anos teve como parceiro o governo federal, através de aportes bilionários do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Foram R$ 2,5 bilhões apenas para a compra da Keystone Foods. Desde 2008, o banco também adquiriu R$ 1,1 bilhões em ações da companhia, e concedeu outros financiamentos para o grupo, de ao menos R$ 700 milhões.
Além dos negócios na indústria da carne, o grupo também controla a Zenda, fabricante multinacional de couros para as indústrias automobilística e aeronáutica.
Operações internacionais:
O grupo Marfrig é o maior produtor de aves no Reino Unido. Alcançou esse posto por meio da aquisição, em 2008, da Moy Park, indústria de alimentos que é também a maior companhia privada da Irlanda do Norte. Em 2010, adquiriu outra importante processadora de aves naquele país, a O’kane.
Também em 2010, a companhia brasileira comprou a Keystone Foods, multinacional norte-americana líder no fornecimento de produtos de carne para diversas redes de fast food em todo o mundo. Outra empresa da Marfrig nos Estados Unidos é a Marfood, que fabrica produtos de “marca própria” para gigantes locais do varejo.
Em 2011, a empresa anunciou novos negócios no mercado chinês, através da formação de joint ventures com a Cofco, líder local na fabricação de alimentos, e com a Chinwhiz, fabricante de rações.
A internacionalização do grupo também se espalhou pelo mercado sul-americano. No Uruguai, o Marfrig adquiriu, em 2006, o frigorífico Tacuarembó, uma das maiores empresas daquele país.
Em alguns casos, as operações internacionais da Marfrig se dão a partir do processamento de matéria-prima abatida no Brasil, onde está a maior capacidade de abate do grupo.
Acionistas:
Marcos Molina, presidente e fundador da companhia, é o acionista majoritário da Marfrig (através da MMS Participações). O BNDES, por sua vez, possui aproximadamente 14% do capital da companhia.
Com 5,8% de participação, o grupo multinacional OSI é outro acionista relevante. Trata-se também de uma indústria do setor de alimentos, com forte atuação no fornecimento de produtos a grandes redes de restaurantes.
Através de suas operações brasileiras, também integra a composição acionária do grupo (5%) a tradicional gestora norte-americana de recursos Franklin Templeton.
A Marfrig é uma empresa de capital aberto desde 2006.
Conheça problemas trabalhistas em frigoríficos da Marfrig:
+ Perícia revela 440 pedidos de auxílio-doença ao INSS por afastamento do trabalho na Seara-Marfrig de Itapiranga (SC)
+ Trabalhador morre depois de cair de carreta e ser atingido por barras de ferro na Marfrig de Porto Murtinho (MS)
+ Vazamento de gás na Marfrig de Bataguassu (MS) mata quatro pessoas e deixa ao menos 20 intoxicadas
+ Justiça obriga Seara-Marfrig de Nuporanga (SP) a providenciar creche e a conceder intervalos em ambientes frios
+ Na Marfrig de Bagé (RS), 14% estão afastados do trabalho por acidente ou doença; em Hulha Negra (RS), proporção é de 12%
+ Seara-Marfrig de Forquilhinha (SC) é condenada a conceder pausas e a pagar R$ 14,6 mi por dano moral coletivo
+ Justiça condena Marfrig de Mineiros (GO) a pagar de R$ 3,5 mi por excesso de horas extras e por insegurança no ambiente de trabalho
+ Marfrig de Rio Verde (GO) é processada por exigir antecedentes criminais e por não pagar adicional de insalubridade

ONG denuncia condições de trabalho degradantes nos principais frigoríficos do país



10/09/201208h00 > Atualizada 10/09/201217h16

A organização não governamental Repórter Brasil, coordenada pelo jornalista e blogueiro do UOL Leonardo Sakamoto, divulgou nesta segunda-feira (10) reportagem multimídia na qual mostra que os três principais frigoríficos do país --Brasil Foods, JBS e Marfrig-- submetem seus trabalhadores a condições degradantes.
Intitulada “Moendo Gente”, a reportagem traz textos, vídeos e dados relacionados ao cotidiano de trabalho dos funcionários dos três frigoríficos, que fornecem carne para as principais redes de fast-food, supermercados e indústrias alimentícias espalhadas por 150 países.
Reprodução mostra página da reportagem especial
Os três frigoríficos estão entre os 20 principais grupos exportadores do Brasil, que atualmente é o maior exportador mundial de frango e carne bovina. Em 2011, o setor exportou US$ 15,64 bilhões. Nos últimos dez anos, a quantidade de animais abatidos dobrou. Atualmente, há 209 milhões de cabeças de gado e mais de 1 bilhão de frangos no país.
Afastamentos
Em uma das unidades frigoríficas da Brasil Foods visitada, em Rio Verde (GO), foram registrados cerca de 90 mil pedidos de afastamento entre janeiro de 2009 e setembro de 2011, segundo levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT).
É como se a cada 10 meses todos os 8.000 empregados do frigorífico tivessem que se ausentar por ao menos uma vez devido a problemas de saúde relacionados ao trabalho. Os afastamentos por distúrbios osteomusculares (os chamados DORT) foram os mais recorrentes: a média é de 28 atestados por dia e de 842 por mês.
Já na unidade de Barretos (SP) da JBS, 14% dos 1.850 funcionários estão permanentemente afastados do trabalho devido a acidentes e doenças ocupacionais --e sobrevivem do benefício pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Só no primeiro semestre de 2011, registraram-se na unidade 496 pedidos de afastamentos temporários (aqueles com menos de 15 dias) por conta de distúrbios psíquicos e problemas esquelético-musculares.
A reportagem da ONG cita ainda o caso da Seara (empresa do grupo Marfrig), que em 2011 foi condenada a pagar uma indenização de R$ 14,6 milhões por danos morais coletivos causados aos trabalhadores na unidade de Forquilhinha (SC).
A Justiça determinou também que a Seara conceda pausas para “recuperação térmica” de 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos de trabalho, cumprindo o que determina a lei. A mesma sentença obriga ainda o frigorífico a liberar a ida dos trabalhadores ao banheiro, sem que seja necessária autorização prévia de um superior.
Movimentos repetitivos
Segundo a reportagem, um dos principais problemas do trabalho em frigoríficos é a elevada carga de movimentos repetitivos em um curto espaço de tempo. Trabalhadores das indústrias de aves, por exemplo, desossam, no mínimo, quatro coxas de frango por minuto.
Nessa função, há funcionários que realizam até 120 movimentos diferentes por minuto, sendo que estudos ergonômicos apontam que o limite de ações por minuto deve se situar na faixa de 25 a 33 movimentos, de forma a evitar o aparecimento de doenças osteomusculares.
O texto aponta ainda que fiscalizações feitas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério Público do Trabalho vêm constatando prolongamento irregular da jornada de trabalho, com expedientes que não raro superam 15 horas diárias.
Doenças e acidentes
Dados oficiais do Ministério da Previdência Social mostram que os problemas de saúde gerados especificamente pelo abate e processamento de carne são muito mais recorrentes do que os danos provocados por todos os demais segmentos.
No abate de bovinos, ocorrem duas vezes mais traumatismos de cabeças e três vezes mais traumatismos de abdômen, ombro e braço, e seis vezes mais queimaduras. No abate de aves, a chance de um trabalhador desenvolver um transtorno de humor, como uma depressão, é 3,41 vezes maior. Já no abate de aves e suínos, o risco de sofrer uma lesão no punho ou nos plexos nervosos do braço é 743% maior.
A legislação trabalhista do Brasil prevê uma série de medidas visando a proteção da saúde dos empregados do setor de frigoríficos. Há normas para mitigar os problemas gerados pelos movimentos repetitivos. Segundo a reportagem, as empresas nem sempre cumprem essas determinações, e, por essa razão, vêm sendo acionadas judicialmente pelo Ministério Público do Trabalho.
Baixas indenizações
Outro problema recorrente que a reportagem traz é o pagamento de baixas indenizações aos trabalhadores que se acidentam ou desenvolvem doenças ocupacionais. Para especialistas entrevistados, as condenações impostas pelo Poder Judiciário aos frigoríficos resultam em indenizações de valor muito baixo que, em vez de inibir, acabam permitindo que novos acidentes ocorram.
Em Goiás, por exemplo, um trabalhador de uma planta industrial da Marfrig teve de ser submetido a uma cirurgia depois que um corte profundo em seu braço esquerdo atingiu nervos e tendões, prejudicando a mobilidade de sua mão.
Por não fornecer os devidos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o frigorífico foi condenado a arcar com os custos da cirurgia e a pagar uma indenização de R$ 5.000 por danos morais. Para efeito de comparação, também em Goiás uma cliente processou um banco que levou seu nome à Serasa Experian e foi contemplada com uma indenização de R$ 10 mil.
Outro lado
A ONG Repórter Brasil pediu para os três frigoríficos se pronunciarem a respeito de cada caso denunciado na reportagem. Apenas a Marfrig comentou cada um. JBS e Brasil Foods enviaram resposta única para os problemas apresentados.
Em seu pronunciamento, a Brasil Foods afirma que “o respeito às pessoas e à legislação vigente é e sempre foi uma prioridade da companhia” e que “sempre procurou agir preventivamente”. Segundo a empresa, “alguns dos casos mencionados pela Repórter Brasil em seu relatório referem-se a decisões em primeira instância, das quais a BRF discorda totalmente e inclusive está recorrendo das mesmas. Nos casos em que, de fato, ficou caracterizada alguma não conformidade, a BRF prontamente firmou acordos com o Ministério Público do Trabalho”.
Já a JBS defendeu que “existem na Justiça do Trabalho decisões favoráveis  à empresa nesta questão, bem como decisões contrárias”. A nota sustenta ainda que “existe um grupo liderado pelo Ministério do Trabalho que atualmente prepara a redação de uma norma específica para a atividade em área refrigerada. A JBS, através de um membro das associações que representam o segmento,  participa deste grupo e a expectativa é de que tal norma seja editada até o fim de 2012”.
A Marfrig, por sua vez, assegura que sua atuação é “firme e consistente no cumprimento das leis e regulamentos vigentes no país”. Além disso, afirma que “não tolera atos de exploração de mão-de-obra, abuso de poder ou qualquer tipo de perversidade que atinja a dignidade dos funcionários”. Segundo o comunicado, a empresa realiza periodicamente campanhas para prevenção de acidentes no trabalho. “A preservação da saúde e integridade física e mental dos empregados é prioridade na política de recursos humanos.”
Para ler a resposta completa dos frigoríficos clique aqui.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Trabalhadores de frigoríficos do RS comemoram aumento salarial acima da inflação



Cerca de 3 mil funcionários da multinacional Marfrig Group foram beneficiados pela campanha salarial 2012 no Rio Grande do Sul. Além do reajuste de 14,75% no piso, acordo viabiliza transporte gratuito aos trabalhadores do setor

A intransigência dos frigoríficos por pouco não resultou em uma paralisação geral no Rio Grande do Sul (RS). Cerca de 3 mil funcionários da multinacional Marfrig Group rejeitaram proposta inicial de 8,8% de reajuste salarial e conquistaram, nessa quarta (05/09), 14,75% em acordo que garante ainda aumento no vale alimentação e transporte gratuito aos trabalhadores. As negociações da campanha salarial 2012 tiveram início em junho deste ano.

Sob ameaça de greve desde a última semana, trabalhadores das regiões de Bagé, Pelotas, Alegrete e São Gabriel reivindicaram aumento salarial com reposição da inflação e melhorias das condições de saúde, diante de cláusulas sociais.  “Realizamos diversas assembleias onde os trabalhadores rejeitaram uma proposta da empresa com salário baixo e estávamos nos preparando para instalar uma greve. A participação dos trabalhadores foi maciça e isso repercutiu na direção da empresa. Nessa segunda íamos parar as unidades de Alegrete e São Gabriel, com a participação de 1.700 trabalhadores, no entanto, a empresa cedeu e apresentou outra proposta que não atendeu 100% o interesse dos trabalhadores, mas atendeu o interesse da maioria“, afirma Darci Pires da Rocha, coordenador político da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (CNTA), que coordenou as negociações com sindicatos locais e representantes patronais.

Segundo Darci, a principal preocupação dos trabalhadores foi atingir um índice com ganho real que superasse a inflação. Para ele, a mobilização dos trabalhadores foi determinante para a conquista que, segundo Darci, foi um dos maiores ganhos percentuais já vistos no Brasil. “Nós queríamos um mínimo de 10% para todos os trabalhadores de forma linear, que é um índice significativo já que temos uma inflação de 4,85%. Talvez essa tenha sido uma das negociações que atingiu maior ganho percentual do Brasil. Tivemos reajuste de 10% para os trabalhadores que ganham até R$ 2.000 e 14,75% no reajuste do piso (R$ 787,00)”, comemora Darci, que também destaca a garantia de transporte gratuito e o aumento do vale alimentação para R$ 115,00.


Frigoríficos sem regulamentação profissional

O presidente da CNTA, Artur Bueno de Camargo, elogiou a participação dos dirigentes sindicais e a unificação dos trabalhadores da região. No entanto, lembrou que o setor frigorífico ainda tem muito o que avançar, sobretudo, no que diz respeito às condições de saúde e segurança no trabalho. Nesta terça (11/09), representantes patronais e dos trabalhadores voltam a discutir com o governo a criação da Norma Regulamentadora dos Frigoríficos, no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

“Foi comprovado que é possível avançar somente através das mobilizações. Para nós, da CNTA, é muito importante termos essa unidade e isso no futuro com certeza trará também melhores resultados na luta dos trabalhadores em busca de melhorias”, afirma.

Sobre a falta de avanço da construção da NR dos Frigoríficos, há mais de um ano em discussão no MTE, Artur não descarta a retomada da mobilização nacional para defender interesses gerais dos trabalhadores da categoria, como a redução da jornada de trabalho, a extinção das horas extras e a concessão de pausas para descanso de 10 minutos a cada 50 minutos de trabalho –  rejeitados pelo patronal ao longo das negociações.

“Espero realmente que essa próxima reunião traga uma proposta de consenso e que possa pelo menos amenizar um pouco os problemas de saúde e de acidentes de trabalho dentro dos frigoríficos, que são alarmantes. Se isto não acontecer, espero que o MTE cumpra seu papel e não fique refém dos empresários, que não querem avançar na melhoria das condições de trabalho”, diz.


Segundo a ata de negociação dos frigoríficos no RS, as principais cláusulas do acordo são:

Piso: R$ 787,00 (reajuste de 14,75%);
Piso Profissional: R$ 840,00 ( reajuste de 13,67%) ;
Reajuste: até R$ 2.000,00 10% retroativo a junho;
Acima de R$ 2.000,00 8,5% retroativo a junho;
Vale alimentação: R$ 115,00;
Vale transporte: Gratuito.




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